Justiça decreta falência da tradicional fabricante gaúcha de ventiladores
A tradicional fabricante de ventiladores Martau, com mais de 60 anos de história, voltou a ter sua falência decretada. Fundada em 1961 e com sede em Porto Alegre, a empresa enfrentava dificuldades financeiras há anos, tendo inclusive passado por um processo de recuperação judicial anterior, revertido em 2021. Desta vez, porém, a situação se agravou.
A decisão judicial foi motivada pelo descumprimento do plano de recuperação, falta de pagamento aos credores e paralisação das atividades. A administração também não contestou as dívidas, o que contribuiu para o desfecho.
A crise se intensificou com a enchente de maio de 2024, que atingiu duramente as operações da empresa. O faturamento despencou para apenas R$ 32 mil — valor insuficiente até para manter a estrutura básica. Em uma última tentativa, a Martau recorreu novamente à Justiça, como já havia feito em 2019, mas não obteve êxito.
O passivo da empresa supera R$ 20 milhões, incluindo dívidas trabalhistas e fiscais. Com a falência decretada, a Justiça determinou o leilão de bens para pagamento parcial dos débitos. Entre os ativos, estão a sede em Porto Alegre, uma estrutura nunca utilizada em Alvorada, e até mesmo a marca Martau, que pode ser arrematada por terceiros.
Esse caso revela o impacto devastador de fatores como crises econômicas prolongadas, eventos climáticos extremos e falhas na gestão sobre empresas tradicionais. Mostra também como a recuperação judicial pode ser uma alternativa viável — desde que planejada com seriedade, transparência e suporte técnico adequado.