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Correios suspendem R$ 2,75 bilhões em pagamentos em meio a crise financeira

  29 de Agosto de 2025

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A crise financeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos atingiu um novo patamar. A estatal decidiu suspender temporariamente o pagamento de R$ 2,75 bilhões em obrigações financeiras, medida que inclui fornecedores, tributos, repasses a planos de saúde, fundos de pensão e até benefícios de empregados. A decisão foi justificada internamente como necessária para “preservar a liquidez e reequilibrar, ainda que temporariamente, o fluxo de caixa”, após 11 trimestres consecutivos de prejuízo.

 

Os números revelam a gravidade da situação. Entre os valores suspensos estão R$ 741 milhões referentes ao INSS patronal, R$ 652 milhões a fornecedores, R$ 363 milhões ao Postal Saúde, R$ 238 milhões em vale-alimentação e R$ 138 milhões ao Postalis, fundo de pensão dos empregados. Além disso, a Receita Federal já registrou R$ 1,3 bilhão em tributos não pagos e fornecedores de transporte ingressaram na Justiça para cobrar mais de R$ 100 milhões atrasados.

 

No primeiro trimestre de 2025, os Correios registraram um prejuízo de R$ 1,7 bilhão, o pior resultado para o período desde 2017, mais que o dobro das perdas do mesmo trimestre em 2024. A estatal enfrenta ainda o peso de uma estrutura de custos fixos que corresponde a cerca de 88% das suas despesas totais, o que inclui folha de pagamento, frota e infraestrutura, dificultando ajustes diante da queda de receitas.

 

As causas da crise são múltiplas: mudanças regulatórias no comércio internacional que reduziram o volume de postagens, perda de competitividade com a entrada de novos players, além de um histórico de subinvestimento em tecnologia, logística e modernização. Esse cenário não só comprometeu a geração de receita como expôs a vulnerabilidade da estatal diante de um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo.

 

Para tentar contornar a situação, os Correios buscam captar até R$ 1,8 bilhão em novos recursos, além de já terem contratado empréstimos de R$ 550 milhões junto a bancos privados no final de 2024. Também aguardam a liberação de um financiamento de R$ 4,3 bilhões junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (Brics), voltado a projetos de descarbonização e modernização logística — recursos que, no entanto, não poderão ser usados para cobrir o déficit de caixa.

 

Os reflexos da suspensão dos pagamentos são imediatos e atingem fornecedores, empregados, franqueados e o próprio fisco. Para empresas contratadas e parceiras, o episódio é um alerta sobre a importância da gestão de riscos e da análise de solvência de clientes, mesmo quando se trata de companhias de grande porte e relevância nacional. A situação mostra que a solidez de uma marca histórica não garante estabilidade financeira quando faltam modernização, planejamento e capacidade de adaptação às mudanças do mercado.

 

O caso dos Correios reforça a necessidade de uma gestão empresarial voltada não apenas à operação, mas também à estratégia, à inovação e ao monitoramento constante da saúde financeira. Para fornecedores e parceiros, fica a lição: diversificação de clientes e gestão de risco de crédito são práticas essenciais para proteger a sustentabilidade dos negócios.


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