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Previsões para 2026

  02 de Janeiro de 2026

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O ano de 2026 começa com sinais claros de que o setor produtivo brasileiro enfrentará novos recordes de pedidos de recuperação judicial e falências. Mesmo com a expectativa de queda da taxa Selic, os juros reais continuam elevados, o crédito bancário segue restrito e a incerteza eleitoral aumenta a pressão sobre o caixa das empresas. Esse conjunto de fatores cria um ambiente de crise de liquidez que ameaça a sobrevivência de negócios de diferentes portes e setores.

Juros altos e sufoco financeiro

A taxa Selic deve encerrar 2026 em 12,25%, segundo o boletim Focus do Banco Central. Apesar da redução em relação aos patamares anteriores, o alívio é insuficiente para reverter o aperto financeiro. Juros elevados corroem o caixa das empresas, dificultam o alongamento de dívidas e tornam inviável a saída de processos de recuperação judicial. Especialistas apontam que apenas quando os juros caírem para níveis abaixo de dois dígitos será possível observar uma redução consistente nos pedidos de recuperação.

Crédito escasso e incerteza eleitoral

Além do custo elevado do dinheiro, a escassez de crédito bancário agrava a situação. Desde o “choque Americanas”, em 2023, o sistema financeiro mantém postura defensiva, exigindo garantias mais rígidas e oferecendo prazos mais curtos. Em 2026, a proximidade das eleições presidenciais intensifica essa cautela, paralisando decisões de crédito e criando um ambiente de insegurança. Bancos e fundos preferem reter caixa a arriscar empréstimos em um cenário de polarização política e dúvidas sobre a condução da política fiscal.

Setores mais afetados: agro e pequenas empresas

O impacto da crise não é uniforme, mas alguns setores se destacam pela vulnerabilidade. O agronegócio, antes considerado a âncora do PIB, lidera os índices de insolvência. Quebras de safra, preços de commodities em baixa e endividamento elevado colocam produtores em situação crítica. Já as micro e pequenas empresas, que representam cerca de 80% dos pedidos de recuperação judicial, sofrem pela falta de reservas e pelo efeito dominó que atinge fornecedores e credores. A insolvência desses negócios ameaça congestionar o Judiciário e ampliar a inadimplência geral.

Recuperação judicial que não recupera

Outro dado preocupante é a crescente ineficácia dos processos de recuperação judicial. Muitos empresários adiam o pedido de socorro e chegam ao processo sem ativos livres para garantir “dinheiro novo”. Sem crédito adicional, o plano de recuperação torna-se inviável e a falência acaba sendo o desfecho provável. O percentual de empresas que migram da recuperação para a falência vem aumentando trimestre após trimestre, revelando que o instrumento legal tem servido, em muitos casos, apenas como etapa prévia ao encerramento das atividades.

Reforma tributária e novos desafios

Como se não bastassem os juros e a escassez de crédito, 2026 traz ainda a complexidade da transição da reforma tributária. Empresas terão de lidar com a coexistência de dois sistemas, o que implica custos de adaptação com contratos, sistemas e logística. Para negócios já fragilizados, esse gasto adicional pode representar o golpe final. Especialistas alertam que o risco regulatório precisa ser incorporado aos planos de recuperação, sob pena de inviabilizar qualquer tentativa de reestruturação.

A necessidade de agir rápido

Diante desse cenário, a mensagem é clara: agir cedo deixou de ser uma vantagem para se tornar uma necessidade. Para credores, antecipar a execução de dívidas e a investigação patrimonial é fundamental para evitar surpresas desagradáveis. Para devedores, transparência e agilidade no diagnóstico da crise são essenciais. Postergar decisões, esperando por cortes drásticos de juros ou por uma melhora súbita da economia, não será uma opção em 2026. O ambiente continuará hostil e apenas empresas com gestão estruturada e capacidade de adaptação terão chances reais de sobrevivência.


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